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Músico, vivo, questionador, aprendiz
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sexta-feira, junho 12, 2009

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

(Alphonsus de Guimarães)

quarta-feira, agosto 20, 2008

A idade do céu

Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu

Não somos o que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Ou um capricho do sol

No jardim do céu
Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu

(Moska)

sexta-feira, março 28, 2008

De novo, uma velha canção

Desenredo

Por toda terra que passo
me espanta tudo que vejo
A morte tece seu o fio
de vida feita ao avesso

O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego eu me enredo
Nas tramas do teu desejo

O mundo todo marcado
a ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo,
a morte é o fim do novelo

O olhar que assusta anda morto
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas tranças do teu desejo

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe

A cera da vela queimando,
o homem fazendo seu preço
A morte que a vida anda armando,
a vida que a morte anda tendo

O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo.

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe

(Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)

quarta-feira, agosto 08, 2007

Entender

"Parece estranho terminar a vida em um lugar tao horrivel, mas durante três anos eu tive rosas e nao pedi desculpas a ninguem. Eu morrerei aqui. Cada pedacinho do meu ser perecerá. Cada pedacinho menos um. O da integridade. É pequeno e frágil e é a única coisa que vale a pena ter. Nós jamais devemos perdê-lo. Nem deixar que o tomem de nós. Espero que, quem quer que você seja, escape daqui. Espero que o mundo mude e a vida fique melhor, mas o que mais quero é que entenda a minha mensagem quando falo que mesmo sem conhecer você e mesmo que talvez jamais conheça você, ria com você, chore com você ou beije você... eu amo você. com todo o meu coraçao, eu amo você."

Extraído do filme V de Vingança - dirigido por James McTeigue, adaptado por Larry Wachowski e Andy Wachowski, baseado nos quadrinhos de David LLoyd. VERTIGO and DC COMICS.

segunda-feira, junho 25, 2007

Certas Canções

Caçador de mim

Por tanto amor / Por tanta emoção / A vida me fez assim / Doce ou atroz / Manso ou feroz / Eu caçador de mim

Preso a canções / Entregue a paixões / Que nunca tiveram fim / Vou me encontrar / Longe do meu lugar / Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta / Nada a fazer senão esquecer o medo / Abrir o peito a força, numa procura / Fugir as armadilhas da mata escura

Longe se vai / Sonhando demais / Mas onde se chega assim / Vou descobrir / o que me faz sentir / Eu, caçador de mim

(Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão)












(foto: Arley - violão do Arley)

Certas Canções

Certas canções que ouço / cabem tão dentro de mim / que perguntar carece / Como não fui eu que fiz

Certa emoção me alcança / Corta minha alma sem dor / certas canções me chegam / Como se fosse o amor

Contos da água e do fogo / cacos de vidas no chão / Cartas do sonho do povo / o coração do cantor

Vida e mais vida ou ferida / Chuva, outono Carvão e giz abrigo / Gesto molhado no olhar

Calor que invade, arde, queima, encoraja / Amor que invade, arde, carece de cantar

(Tunai/ Milton Nascimento)

sexta-feira, junho 15, 2007

some like that


Head over feet

I had no choice but to hear you
You stated your case time and again
I thought about it

You treat me like I´m a princess
I´m not used to liking that
You ask how my day was

You´ve already won me over in spite of me
Don´t be alarmed if I fall head over feet
Don´t be surprised if I love you for all that you are
I couldn´t help it
It´s all your fault

Your love is thick and it swallowed me whole
You´re so much braver than I gave you credit for
That´s not lip service

You are the bearer of unconditional things
You held your breath and the door for me
Thanks for your patience

You´re the best listener that I´ve ever met
You´re my best friend
Best friend with benefits
What took me so long

I´ve never felt this healthy before
I´ve never wanted something rational
I am aware now
I am aware now

Segundo movimento


Música para ouvir, feita por um surdo. Com minha vida danificada (Adorniana) acho pouco provável alguém superar Beethoven em sua façanha de final de vida. Um sujeito pouco sociável, "proprietário de um cérebro", solitário e romântico, e capaz de canalizar, ou isolar talvez, todos os sentimentos bons e ruins criando assim uma música tão intensa. Hoje escuto a sua nona sinfonia e fico ainda impressionado e incapaz de descrever o que aquela "música pura" é capaz de me transmitir, até de me transportar e transformar. Recomendo a todos os meus amigos ouvirem a nona sinfonia inteira e com toda a concentração. Digo mais, não façam isso com fones de ouvido nem misturem com nenhuma outra tarefa. Ouçam apenas. A música é a linguagem mais bela do ser humano.

Particularmente gosto mais do segundo movimento.

sexta-feira, abril 13, 2007

As coisãs como são (plágio da sprite)

Apxsar dx minha máquina dx xscrxvxr sxr um considxrada uma sucata x dx modxlo antigo , funciona bxm, com xxcxção dx uma txcla. Há 42 txclas qux funcionam, mxnos uma, x isso faz grandx difxrxnça...

(autor não identificado)


O nome desta postagem era "as coisas são assim", mudei para "as coisas como são" depois de ver uma propaganda da Sprite onde há a logomarca com algumas borbulhas num fundo verde, com os seguintes dizeres: "AS COISAS COMO SÃO - pusemos borbulhas para te dar mais sede." =P

quinta-feira, abril 12, 2007

o poeta está morto

.."pois aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro..."
HIPOCRISIA, eu quero uma pra viver!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

À Música

AN DIE MUSIK (Rainer Maria Rilke)

Musik: Atem der Statuen. Vielleicht:
Stille der Bilder. Du Sprache wo Sprachen
enden. Du Zeit,
die senkrecht steht auf der Richtung vergehender Herzen.
Gefühle zu wem? O du der Gefühle
Wandlung in was? - : in hörbare Landschaft.
Du Fremde: Musik. Du uns entwachsener
Herzraum. Innigsters unser,
das, uns übersteigend, hinausdrängt, -
heiliger Abschied:
da uns das Innre umsteht
als geübteste Ferne, als andre
Seite der Luft:
rein,
riesig,
nicht mehr bewohnbar.

e a tradução de Paulo Quintela:

À Música

Música: hálito das estátuas. Talvez:
silêncio das pinturas. Ó língua onde as línguas
acabam. Ó tempo,
posto a prumo sobre o sentido dos corações transitórios.
Sentimentos - de quê? Ó transmutação
dos sentimentos - em quê? : em paisagem audível.
Ó peregrina: Música. Espaço de coração
de nós liberto. O mais íntimo de nós,
que, transcendendo-nos, força por sair, -
sagrada despedida:
quando o íntimo nos envolve
como o mais exercitado dos longes, como o outro
lado do ar:
puro,
gigânteo,
já não habitável.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Verossímil

Antigamente, em maio, eu virava anjo.
A mãe me punha o vestido, as asas,
me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:
"Canta alto, espevita as palavras bem."
Eu levantava vôo rua acima.

Adélia Prado


Eu musiquei, quer ouvir?

terça-feira, novembro 21, 2006

Reflexões a partir da vida danificada


Aloha

Será que ninguém vê
O caos em que vivemos
Os jovens são tão jovens
E fica tudo por isso mesmo

A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema e de coisas naturais

E penso sempre em sexo
Todo adulto tem inveja, Todo adulto tem inveja
Todo adulto tem inveja dos mais jovens

A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar por que é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei

Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha

E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança

Que se faça o sacrifício
E cresçam logo as crianças

(Renato Russo)

quinta-feira, outubro 05, 2006

Beradêro









"Os olhos tristes da fita
Rodando no gravador
Uma moça cosendo roupa
Com a linha do equador
E a voz da santa dizendo:
O que é que eu tô fazendo
Cá em cima desse andor

A tinta pinta o asfalto
Enfeita a alma
Motorista é cor na cor da cidade
Batom no lábio nortista
O olhar vê tons tão sudestes
E o beijo que vós me nordestes
Arranha-céu da boca paulista

Cadeiras elétricas da baiana
Sentença que o turista cheire
E os sem amor, os sem teto
Os sem paixão, sem alqueire
No peito dos sem peito uma seta
E a cigana analfabeta
Lendo a mão de Paulo Freire

A contenteza do triste
Tristezura do contente
Vozes de faca cortando
Como o riso da serpente
São sons de sins, não contudo
Pé quebrado, verso mudo
Grito no hospital da gente "


- Obrigado Polinha! Mó buniteza de tão triste.

De Chico César cantado por Monica Salmaso

domingo, setembro 17, 2006

Se ele soubesse que eu fui ali pra me perder


Ao mestre com carinho

Muié Rendera - Grande Teatro
Coro CEFAR e convidados

quarta-feira, maio 31, 2006

memórias


amar o perdido
deixa confundido
este coração

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do não

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas
estas ficarão.

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, fevereiro 26, 2006

pérola

"Credo Dani! Sua comida fede bom!"

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Rosa-dos-ventos

E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima
Pra socorrer

E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr

Mas, sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Moresse de pena
E chovesse o perdão

E a prudência dos sábios
Nem ousou conter nos lábios
O sorriso e a paixão

Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se
O leito dos rios fartou-se
E inundou de água-doce
A amargura do mar

Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar

(Chico Buarque - 1969)

sábado, janeiro 28, 2006

sudoeste

Tenho por princípios
nunca fechar portas
mas como mantê-las abertas
o tempo todo
se em certos dias o vento
quer derrubar tudo?


trecho de Buraco Negro de Jorge Salomão

quarta-feira, janeiro 18, 2006

A fábula da boca da Fada


"a Fada renasce hoje
eu que nasci de uma de Suas mágicas
comemoro
Fico feliz de saber que Ela se diverte
e fico triste pela distância
mas deixo escondido neste cantinho a tristeza
porque Ela só merece alegrias
é Ela quem me traz de volta
Ela que sempre aceita minha volta"

"rexis bazei tu iu, rexis bazei tu iu"

quarta-feira, janeiro 11, 2006

A tartaruga no poste (quase engraçado)

Enquanto suturava um ferimento na mão de um velho gari (cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo), o médico e o paciente começaram a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre o Lula.

O velhinho disse:

_Bom, o senhor sabe, o Lula é como uma tartaruga em cima do poste... Sem saber o que o gari quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste.

E o gari respondeu:

_É quando o senhor vai indo por uma estradinha, vê um poste e lá em cima tem uma tartaruga tentando se equilibrar. Isso é uma tartaruga num poste.

Diante da cara de interrogação do médico, o velho acrescentou:

_Você não entende como ela chegou lá, você não acredita que ela esteja lá ,você sabe que ela não subiu lá sozinha, você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá, você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá, você não entende porque a colocaram lá. Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá, e providenciar para que nunca mais suba lá, pois lá em cima definitivamente não é o seu lugar!

(autor desconhecido)