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Músico, vivo, questionador, aprendiz

segunda-feira, maio 10, 2010

Ars

Era uma vez um escritor muito arteiro,
um dia virou músico,
acabou dançando na vida
e tudo não passou de uma poesia.
Mas não pensem que a história é alegre.

Arley Alves Ribeiro

terça-feira, maio 04, 2010

De lunes a Mayo

Fiz minha primeira aula de espanhol na segunda a tarde. A escola fica a uma quadra do albergue, então, maravilha! A menina da recepção do albergue, que tem um nome beeeem diferente e que não consegui guardar, fala inglês e até um pouco de português. Ela me deu um papel pra eu chegar na escola e me identificar. Neste dia eu tomei café, dei uma volta na rua, comprei algum material escolar, andei pela rua Florida (que é onde tem todas as lojas e coisas pra turista), toquei um pouco de violão e fui pra aula a tarde. Lá eu fiz um pequeno teste de nivelamento e comecei a aula. A professora se chama Alana, é muito simpática e experiente. Fala pra caramba, o que é bom pra treinar meu ouvido. Ela fala argentinês mesmo, sem disfarce. soando "x" no lugar "y". Conversamos sobre as diferenças de cultura Brasil/Argentina, música, família, política, ditadura e todo tipo de trivialidades. Ela até agora mostrou um bom conhecimento e também soube abordar a matéria que me interessa. Creio que será bastante proveitoso. Passei a tarde andando a esmo, conhecendo a cidade a pé, vendo o comércio, as praças, os pontos de referência e também ouvindo e observando os habitos argentinos. Esse dia eu comprei coisas pra preparar um macarrão, que fiz e ficou muito bom. Atum, molho, ervilhas, macarrão al dente Pode-se cozinhar à vontade no albergue. Há microondas, fogão, frigobar e utensílios.

Mais à noite os brasileiros reaparecem e me convidaram a participar da programação deles. A Helena gosta de vinho, o Bruno e Leonardo são os outros dois cariocas e gostam mais de cerveja, assim como o Paulo, que é gaucho. A tal pré-night deles consiste em beber vinho e beliscar petiscos no próprio albergue. Eles compram vinho de dia e tomam a noite antes de sair pra balada mesmo. Tomamos juntos 4 garrafas de vinhos distintos e procuramos saber o que tinha pra fazer a noite numa segunda-feira. Eis que surge a SEVERINO's PARTY! Todo mundo concordou que uma festa com esse nome não podia prestar, mas fomos. Chegamos lá meia noite e alguma coisa. Vazio. Ninguém havia entrado. Inclusive nesse horário a entrada era gratuita. Pensamos mais uma vez que não ia prestar, não tinha como. Porém, em frente da tal festa fica o albergue mais falado e baladeiro. Eu pesquisei e li muitas opiniões sobre esse albergue. É onde tem festa toda noite e vem gente de todo canto do mundo. Na sacada dele haviam 5 britânicas que ficamos "parlando"... Leandro falava italiano, espanhol, português, inglês, tudo misturado. Elas ficavam rindo e conversando mas não desceram. Pegamos um taxi e fomos pra Puerto Madero atrás de um boliche (que aqui significa boate). Fechado. Pegamos outro taxi e fomos para Recoleta, que é um bairro chique e referencial. Povo tomou um conjunto de seis copos de diferentes cervejas e saímos. Achamos outro bar logo ao lado que estava mais cheio... umas 30 pessoas, sendo umas 20 garotas. Que sabe-se lá pucausdiquê nos acharam super interessantes e começaram a bater papo com todo mundo. A Helena se sentou e ficou lá sem lugar, claro. Eu fui lá conversar com ela e o Paulo chegou na mesma hora dizendo: - Pô, pedi uma cerveja e a menina disse que pra me servir uma cerveja todo mundo tem que pedir também. Então a garçonete chegou e disse que "se não bebem tem que se retirar". Os cariocas tavam lá batendo papo com as tais garotas enquanto a garçonete conversou com o segurança, que então foi lá e disse que não consumissemos tinhamos que sair. Então saímos. Isso tudo deve ter durado uns 8 minutos. Pode?!

Saímos e combinamos de tentar a Severino's party de novo. Chegando lá (por volta de 2:15) estava lotado e agora a entrada era $25. Todo o povo do tal albergue estava lá... europeu/europeia até pra fazer doce. Entramos eu, Bruno e Leonardo. Parecia coisa de filme mesmo. As gringas (loiras, olhos claros, cerveja na mão) dançando e cheias de graça...

Bom, eu poderia contar o que aconteceu lá dentro pelo resto da noite mas, como diz aquele velho deitado: "o que acontece em Vegas, fica em Vegas!"

Hasta luego!

Arley Alves Ribeiro

domingo, maio 02, 2010

Acostumbrarse, comunicarse!

Cá estou eu na capital argentina. Menos de um dia e já tenho histórias para escrever e contar. Começando pelo embarque em Confins já estava apreensivo por causa do violão que resolvi trazer. A bagagem de mão, de acordo com as regras, só pode ter 5kg e dimensões reduzidas. No meu caso, estava levando um violão num bag comum e também um mochila com um notebook, que por si só já tinha quase os tais 5 kg. Por isso tudo eu estava preocupado com o embarque, pois eles poderiam encrencar e não me deixarem levar uma das bagagens. "Bueno, nada pasó!". Nem o pessoal da TAM, nem da LAN (argentina) não falou nada e vim com meus pertences em paz. Chegando ao aeroporto de Ezeiza procurei o Banco Nacional da Argentina para trocar meus reais por dólares, pois sei que esse banco é um dos lugares mais seguros e com uma boa taxa de câmbio. Não troquei o dinheiro todo, apenas o suficiente para resolver as coisas mais importantes. A partir daí começaram as mazelas! Quando fui ao guichê do "bus" que me levaria ao albergue, descobri que não havia trago o endereço do albergue que anotei. Maldito papelzinho. Então tive que arrumar um lugar no aeroporto que pegava wi-fi pra olhar na internet o tal endereço. Fui até um café e aproveitei pra pedir um cappuccino. Nunca tomei uma água suja de café tão ruim. Era até bonito, mas horrível. Água quente, com espuma de leite por cima e com uma pitada de pó... credo. Enfim, conectei, olhei o endereço, paguei e voltei ao guichê. Comprei o bilhete por 50 pesos e saí do aeroporto. Fui até o ônibus, entrei e esperei cerca de 20 minutos dentro. O ônibus não encheu, mas entraram duas meninas falando inglês com um sotaque britânico inconfundível. Sentaram na minha frente e ficaram conversando. Percebi que estavam de férias e estavam viajando pela América do Sul. Quando uma delas falou "Brasil" eu levantei e pedi licença pra falar. Elas realmente eram britânicas: Georgina e Sara. Georgina morou três meses na Bolívia e disse que falava um pouco de espanhol também. Sara olhou-me e disse: "I don't know nothing!". Elas nunca ouviram falar de Minas Gerais e eu disse que era acima do Rio... rs. Elas iam ficam num albergue também, parecia que era próximo do meu. Despedi e deixei-as à vontade. Elas continuaram conversando.
Quando o ônibus chegou no ponto final, um casal perguntou (em espanhol) como chegariam ao destino. O motorista disse que haveria carros pra levar cada um ao seu destino. Eu desci e as duas meninas ficaram. A princípio não entenderam o que estava acontecendo. Quando desceram, sentaram um pouco esperando chamarem. Os rapazes chamaram cada um pelo destino e eu entrei num Dobló com elas. Realmente os albergues eram próximos. Percebi que elas também levavam um violão num bag todo estiloso, feito de linha... bem Hippie. Desci primeiro, despedi delas e entrei no albergue. Eram cerca de 17:30. Na recepção a moça disse que eu teria que pagar a estadia em dinheiro e isso seria um problema porque minha idéia era guardar o dinheiro para comprar coisas na rua Queria usar o cartão. Paguei uma semana e tive que convencer a menina que ela tinha que descontar os 20 dólares que eu havia depositado para a reserva. Ela ligou pra outra garota da recepção e tudo foi resolvido. Meu quarto era o 5. Nenhuma surpresa quando encontrei mais 4 brasileiros no mesmo quarto. 3 do Rio e 1 do Rio Grande do Sul. A verdadeira surpresa foi quando chegou uma outra menina estilo oriental. Eu perguntei "hablas español" e ela disse que "um poquito, sí." E eu continuei: "English?". Ela disse: "Yes". O nome era Rosaly. Tinha um pequeno acento britânico também. Ficamos conversando um pouco e ela me perguntou o que eu fazia, eu disse que trabalhava com informática e ela perguntou o que exatamente. Eu disse que programava. Aí vem a surpresa. Ela também programava em .NET (C#). Mesma tecnologia que eu trabalho hoje. Daí ela disse que havia uma amiga com ela. A amiga apareceu, com um sotaque britânico muito mais forte. Eu perguntei se ela era programadora também e ela disse que não e que não sabia o que era mais. Disse que estava de férias e que quando voltasse ia ver o que iria fazer. =P.

Bom, agora vamos à outra mazela, pra não dizer burrice, minha. Eu mexi na minha mala (que na verdade é da Sara) peguei o que precisava, tranquei o cadeado e tomei banho. Quando voltei comecei a procurar a chave (minha mãe vê essa cena todo dia). Não achei nem fodendo. Foi aí que desvendei o mistério. Eu havia trancado a chave dentro da mala, olha que legal!!! As duas orientais em perguntaram o que era e eu disse: "I think I locked the key inside." - "Are you sure?!" - "No, but it's my best explanation by now."
Paciência! Eu tava com uma puta dor de cabeça. Fui dormir, pois não havia nada que eu tinha que pegar com urgência na mala. Problema é que não consegui dormir nada. O que é normal. Os tais brasileiros pareciam ter uma programação certa, elas iam e voltavam várias vezes ao albergue. Saíram pra comer por volta das 22h, voltaram, saíram pra pré-night (seja lá o que isso for), depois saíram de novo de vez. Já era 1:30 da manhã. Eu fiquei por ali, sem dormir direito. De manhã tomei café, leite, chá, comi pão e comecei a me preocupar com a questão da mala. Saí pelas ruas pra procurar cadeados novos. Precisaria de dois. Um pra mala e outra pro armário, assim que um vagasse. Achei um mini-carrefour e comprei alguns suprimentos, mas nada de cadeado. Havia outros problema. Eu teria que serrar o outro cadeado. Eu não sei falar cadeado em español, eu nao sei falar serra ou segueta também. Mesmo em inglês eu nao lembrava. Dei um jeito de conectar à internet com meu resto de bateria do notebook e descobri isso. Agora eu poderia sair pela rua e pedir por um candado e uma sierra. Em inglês seria padlock e saw. Aproveitei e mandei uma mensagem pra Lú dizendo que estava bem. Saí à rua, andei, andei, achei os cadeados, mas nem sinal de serra. Domingo só abre loja que vende tralha pra turista!!! Aprenda! A sorte foi que no albergue a chica me emprestou uma seguetinha, cega, mas que, com custo, conseguiu cortar o candado. Beleza! Assim, abri a mala e voltei a ter acesso ao carregador do notebook e do celular. Também minhas partituras, tênis, roupas, e claro, a maldita chave! Outra coisa boa foi que ambos os carregadores são bivolts e posso usar aqui, que é 220v. Mais cedo eu havia comprado um adaptador de plug, pois o padrão argentino também é diferente.

Bom, por enquanto é só. Breve tem mais.

Detalhe engraçado. A recepcionista fala só espanhol, mas entende inglês e português, então as pessoas chegam e falam frases gigantes em inglês e português e ela responde tudo direitinho em espanhol. O gringo entende, ela entende e eu entendo... É muito divertido!!!

COMUNicar!

Arley Alves Ribeiro

terça-feira, março 16, 2010

Trabalho


Tem gente
que é igual lápis
começa a trabalhar
e acaba desapontado.

Arley Alves Ribeiro

quinta-feira, março 04, 2010

Violeiro (Elomar Figueira Melo)

Vou cantá no canto di primero
as coisa lá da minha mudernage
qui mi fizero errante e violêro
Eu falo sério e num é vadiage
E pra você qui agora está mi ovino
Juro inté pelo Santo Minino
Vige Maria qui ôve o queu digo
Si fo mintira mi manda um castigo

Apois pro cantadô i violero
Só há treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhero
Viola, furria, amo, dinhero não

Cantado di trovas i martelo
Di gabinete, lijêra i moirão
Ai cantado já curri o mundo intero
Já inté cantei nas portas di um castelo
Dum rei qui si chamava di Juão
Pode acriditá meu companhero
Dispois di tê cantado o dia intero
O rei mi disse fica, eu disse não

Si eu tivé di vivê obrigado
um dia i antes dêsse dia eu morro
Deus feiz os homi e os bicho tudo fôrro
já vi iscrito no livro sagrado
qui a vida nessa terra é uma passage
Cada um leva um fardo pesado
é um insinamento qui desde a mudernage
eu trago bem dentro do coração guardado

Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tudo tê
mais só dispois di pená pela istrada
beleza na pobreza é qui vim vê
vim vê na procissão do Louvado-seja
I o assombro das casa abandonada
côro di cego na porta das igreja
I o êrmo da solidão das istrada

Pispiano tudo do cumêço
eu vô mostrá como faiz um pachola
qui inforca o pescoço da viola
E revira toda moda pelo avêsso
i sem arrepará si é noite ou dia
vai longe cantá o bem da furria
sem um tostão na cuia u cantado
canta inté morrê o bem do amo.

quarta-feira, setembro 23, 2009

posse

Tenho saudades do que tive.
amo o que tenho.
adoro o que terei.

Arley Alves Ribeiro

quarta-feira, setembro 16, 2009

Táctica y estrategia

Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos

mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible

mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme con vos

mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos

no haya telón
ni abismos

Mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple

Mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites.

(Mario Benedetti)

terça-feira, julho 28, 2009

Atrabalhar

Ops! Desculpe! Não queria te atrabalhar com tanto ócio.
Odío tanto essa elabutação. Trapalhando por tão pouca pró-dução.
Não entento essa gente tão ó-culpada!
Eu não tenho Cuba de nada disso.

Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, junho 19, 2009

pois

a gente nem nasceu ainda


foto by: Clark Little (ex-surfista-EUA)

quinta-feira, junho 18, 2009

SIMPLES

E quem entende do simples?
Quem sabe?
Quem o ousa?
Simples se deixar? E as dores, como vão?
o Quê não simplifica, aguça.
Saber não torna o simples mais simples.
Simplesmente não.
Desafio simplificar.
Será o simples o pouco, o vazio, o limpo, o claro?
Talvez simples será omissão.
Nâo é simples sim. Sim é simples não.
Tudo simples, nada.
Tudo, simples nada
tudo, simples, nada
Simples não.

Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, junho 12, 2009

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

(Alphonsus de Guimarães)

quarta-feira, junho 03, 2009

ConhecEU

Nasci nos 80 sem entender de obstetrícia
Cresci mais ou menos até a gosto,
depois cansei, e fui sonhar
Acordo às oito e morro às dez,
religiosamente

Sou burro por parte de mãe e feio por parte de pai
Não falo cantonês, não sei cantar
Meu joelho não é dos melhores,
mas meus sonhos são outros

Era católico, hoje sou míope
Meu humor varia entre o marrom e o branco
Na segunda eu conspiro, terça não fecho o livro
Escrevo até bem, mas só coisas ruins

Pratico repousos, esporadicamente
Não tenho remédio, questiono qualquer questão
Sei que sou sul
Vou do início ao fino!

Arley Alves Ribeiro

segunda-feira, abril 13, 2009

quarta-feira, abril 01, 2009

parte

experimente um cisco de medo
sinta um facho de dor
beba uma gole de ansia
talvez uma fatia de amor

Arley Alves Ribeiro

terça-feira, fevereiro 24, 2009

É a sua cor que combina com toda a paisagem

nítida
não precisa de retoque
não pede nenhum desfoque
em todo o mundo desejo ver
olhos e câmeras
todo o mundo que vê
não só sorrisos, não só tristezas
o mundo dentro enxergando o de fora
há muitos mundos por aí
Vamos

Arley Alves Ribeiro