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Músico, vivo, questionador, aprendiz

quinta-feira, abril 17, 2008

É verdade!

"Diga a verdade e saia correndo."
Provérbio Iugoslavo

segunda-feira, abril 07, 2008

Adorno

"O amor é a capacidade de perceber o semelhante no dessemelhante(...) Amado tú serás unicamente quando puderes te mostrar fraco sem provocares força"

(Theodor Wiesengrund Adorno - Minima Moralia - af. 66, p. 88, 1992.)

"Não me entendam mal. Não estou pregando o amor. Cultivá-lo me parece esforço vão; a ninguém caberia o direito de pregá-lo porque a falta de amor hoje - como eu já disse - é uma falha de todos, sem exceção. Para pregar o amor, seria preciso que aqueles aos quais nos dirigimos, que procuramos modificar, tivessem uma estrutura de caráter diferente. Porque as pessoas que devemos amar já são incapazes de fazê-lo e assim se tornam, por sua vez, menos dignas de ser amadas."

(Theodor Wiesengrund Adorno - Educação após Auschwitz - org. Gabriel Cohn, 1986 - p.43)

P.S.: Peço desculpas por pinçar trechos desse naipe e tirá-los do contexto dos livros... mas pra quem saber ler...

quarta-feira, abril 02, 2008

opus

Nao tenho harmonia
deixei pra trás
há alguns séculos

Nem diminuto
nem aumentado

Sôo com quartas
sol com sexta
sou com segundas

Assim como sábados e domingos

Quebro tanto o ritmo
que não sou de acompanhar
solo nenhum me dá tom

Sou só melodias

Descobrir meu tema é um anátema.


Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, março 28, 2008

De novo, uma velha canção

Desenredo

Por toda terra que passo
me espanta tudo que vejo
A morte tece seu o fio
de vida feita ao avesso

O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego eu me enredo
Nas tramas do teu desejo

O mundo todo marcado
a ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo,
a morte é o fim do novelo

O olhar que assusta anda morto
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas tranças do teu desejo

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe

A cera da vela queimando,
o homem fazendo seu preço
A morte que a vida anda armando,
a vida que a morte anda tendo

O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo.

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe

(Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)

domingo, março 16, 2008

Gentes e Janelas


A janela do quarto dela era baixa e ele a pulou sem dificuldade. Ela se sentiu extasiada. Quando ele se foi ela se sentiu completa. Quando outro pulou a mesma janela ela sentiu necessária e curou-lhe as ânsias. Quando ele se foi ela sentiu orgulho. Quando mais um pulou a janela, ela estava frágil e não soube o que sentir. Ele foi prudente e a fez sorrir. Quando ele se foi ela se sentiu menor. O próximo que pulou a fez sentir completa e quando ele se foi ela se sentiu partida. Passou-se um tempo até que surgisse alguém na janela. Quando surgiu, havia um vidro e no vidro uma marca de batom. O vidro estava um pouco embaçado e as imagens imprecisas. O vidro era fino e frio, mas bastava para separar o mundo. Quando ele se foi, deixou uma marca de mão no vidro e uma flor no para-peito.

Arley Alves Ribeiro

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

vírus

Te amo mesmo gripado
Te amo mesmo gripada
Te amo mesmo ATCHIM!!!
Te amo mesmo assim.

Arley Alves Ribeiro

domingo, fevereiro 24, 2008

Instante, Saudade e Intensidade

(para a Paulinha, nunca esquecer)

Pra ser novo, tem que provocar um choque
pra ser livre, deve se livrar do medo
pra ser querido, não há um modelo
para o mesmo, então faça o mesmo jeito

Pra cantar, não fique nos cantos
pra dançar, vista a sua alma
se revele leve, vele o teu sorriso

Para ser um anjo, deve-se ser frágil
pra se confundir com os seus amigos
para marcar toda uma vida e da pena formar suas asas

Para deixar saudades basta um instante,
pra criar algo mais forte que o mar
que nem ele possa... nem ele possa tirar

E o instante se tornará eterno
primavera, verão, outono ou inverno
vai voltar como volta o vento
das verdades que vêm de dentro... sempre vêm de dentro

Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

I D A D E


Oh! Nesta mente?
Oh! Nesta idade?
Se ver idade,
sim, seria idade.
Um, mil, idade.
Nossa eterna idade
nessa imensa idade
a humana idade
sem intensa idade?
Temos qual idade?

Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Dueto

Cedo
minha vontade
atento
às suas ânsias
nada
a minha sede
trago
minhas dúvidas
ama
sua vida no meu espelho

Arley Alves Ribeiro

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Leve

Guardo outros planos para você
levá-la ao céu jogando-a ao chão.
Tenho um sonho para você:

Um instante que reterá cada som
cada cheiro pensamento suor cor gosto tato
cada arrepio sentido
cada sentido.

Dar-lhe-ei tal instante
para voar com você
será seu Instante-deus
será sua ilha fé conforto saudade remissão.

Sua vida será mais leve e pesada
após este instante
e a todo instante
o Instante se anunciará.

O mundo então será menos mundo
e mais espaço onde seu Instante pousa
pulsa
vive

A você, até se tirarem o lindo corpo
(hoje seu doce salgado lar)
sobrará ainda seu tudo.

será um todo-mulher
será um todo, mulher
será toda mulher
será toda, mulher
será toda maria
será toda, maria
será tudo, maria
será Maria.

Arley Alves Ribeiro

NUDA

Apesar de ires
a melhor parte de ti ficas
nao tens noção
tua parte ideal moras aqui
ide ciente, nunca sairás daqui

Irás nua
terás que te recomeçar
nua também tú ficas
sem rótulo, sem nome
sem estampa, sem teto
sem pudor

vais nua porque nua és.

Arley Alves Ribeiro

terça-feira, janeiro 15, 2008

Sim, a noite













Está chegando a noite
em que tudo some
em que tudo soma
sobrará o sumo
suma noite

Arley Alves Ribeiro
Haicai

primavera
até a cadeira
olha pela janela


luzes acesas
vozes amigas
chove melhor


(Alice Ruiz)

Feminino

Exausto

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.

(Adélia Prado)
(in "Bagagem" São Paulo: Ed.Siciliano, 1993)

quinta-feira, janeiro 10, 2008

nunca vai entender

fiz mais do que vistes
fui mais do que percebestes
faço mais do que vês
sou mais do que fostes
farei mais do que verás
serei sempre mais do que queres.

...

A verdade está como sob a pele
Para chegar até ela é preciso cortar
sua extração causará dor e uma cicatriz
porém, a vida continuará – começará em verdade.


sm (ingl truism) 1 Verdade evidente, que está a entrar pelos olhos de toda a gente. 2 Evidência, verdade banal, trivialidade.

“A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela.” (Max Frich)

“Toda verdade inédita começa como heresia e acaba como ortodoxia.” (Thomas Huxley)

“Todas as grandes verdades começam como blasfêmias.” (George Bernard Shaw)

“Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.” (Friedrich Nietszche)

http://lygia.wordpress.com/truismo/

http://cea.eti.br/tecnologia.blog/?p=8

sexta-feira, novembro 30, 2007

A conselho


Amar, apesar de poucas pessoas mostrarem-se dignas de serem amadas. Chegando de perto se vê os defeitos de cada um mas, quão maravilhoso é quando nem mesmo as imperfeições destroem a beleza de quem se ama. Aproximando-se é possível tocar as asas e as feridas dos anjos, que as vezes estão tímidos e escondidos mas, nunca ausentes. Vigiam de longe, bolando modos de nos proteger e conduzir, de alegrar e divertir. Eu sei dos meus anjos e eles me bastam. Não deixo a vida me levar, nao "faço parte" do mundo aí fora. Acima de todas as teorias caóticas, nucleares, apocalípticas, religiosas ou acidentais, está a amizade. Esta ninguém me tira.

Independente do "bom velhinho" ou do nascimento do menino, o resto continua no seu estatismo movente, sacudindo o homem, distrando-o e entretendo. Insisto na completa felicidade, por um breve instante, que integra tudo e nos faz vivos. Não alimento nenhum romantismo, não espero ilusões. Aconselho apenas a viver e reparar o que realmente é VIDA.