Enquanto a música não vem
derramo o meu sangue em outros cantos
ajudo com meu medo algum estranho
Partilho alguns amigos com segredos
Enquanto a música não vem
programo alguma coisa nos domingos
repito alguma bossa no piano
planejo algum sorriso sem motivo
Enquanto a música não vem
mendigo algum batuque pelas praças
amo alguma moça algo sem graça
danço alguma dança sem compasso
Enquanto a música não vem
suspendo algum acorde sem a tônica
cultivo algum desejo desprezível
abraço alguma idéia pelo tronco
Enquanto a música não vem
eu vôo
Enquanto a música não vem
eu nem sou
Enquanto a música não vem
eu quase vou
Enquanto música,
vem!
Arley Alves Ribeiro - 24 de abril de 2012
Aqui eu escrevo tudo o que não posso escrever. Aqui você irá tentar ler tudo o que não consegue Aqui estão as respostas de tudo que não se perguntou Aqui está a matéria prima do que não foi feito e assim...
segunda-feira, abril 30, 2012
sábado, fevereiro 25, 2012
terça-feira, fevereiro 21, 2012
Se eu tivesse a voz
Se eu tivesse a voz
para cantar mais do que dizer
o que por dentro grito
cantaria pelas ruas à noite
com um chapéu no chão
com a veia muitas vezes estufada
a cara corada, beirando à rouquidão
se eu tivesse o poder da voz
eu cantaria pelos telhados
para abafar todo sinal que transite
e acordar qualquer sonho deitado
espiralando o senso de direito
se eu tivesse ao meu alcance a voz
estaria sempre on the road
usaria tons mais intensos
usaria sons mais imensos
usaria bons e poucos silêncios.
se eu tivesse nascido com a voz
faria um esforço inédito
seria o pretérito mais-que-perfeito
indicativo subjuntivo tão sujeito
a qualquer frequência tocar
se eu não tivesse só o desejo da voz
você seria vós.
Atados seriamos, nós.
Arley Alves Ribeiro
para cantar mais do que dizer
o que por dentro grito
cantaria pelas ruas à noite
com um chapéu no chão
com a veia muitas vezes estufada
a cara corada, beirando à rouquidão
se eu tivesse o poder da voz
eu cantaria pelos telhados
para abafar todo sinal que transite
e acordar qualquer sonho deitado
espiralando o senso de direito
se eu tivesse ao meu alcance a voz
estaria sempre on the road
usaria tons mais intensos
usaria sons mais imensos
usaria bons e poucos silêncios.
se eu tivesse nascido com a voz
faria um esforço inédito
seria o pretérito mais-que-perfeito
indicativo subjuntivo tão sujeito
a qualquer frequência tocar
se eu não tivesse só o desejo da voz
você seria vós.
Atados seriamos, nós.
Arley Alves Ribeiro
domingo, fevereiro 12, 2012
Como planta crescendo sem chuva no meio do verão
"Difícil é viver longe desse teu cheiro mineiro de flor"
sexta-feira, janeiro 20, 2012
sexta-feira, janeiro 06, 2012
À MÚSICA
música é a própria divindade,
nada mais sacro do que tocar um instrumento,
ou entoar um canto,
tão fácil frequentar um templo,
tão simples repetir uma oração,
tão egoísta pedir uma benção,
quando comparados ao ritual de se musicalizar,
uma vida de privações em busca do inefável,
da perfeita afinação
do ritmo, da intensidade, da harmonização
do instante,
de cada um dos instantes, musicais,
do som que necessita tanto do silencio,
e quando música, nos faz calar,
nos faz ouvir além do escutar,
nos reflete, nos ultrapassa, nos entende,
nos une,
o om,
divino é o acorde,
eterna é a pulsação que temos dentro,
música,
orquestra,
ensaio,
tudo para trazer sintonia,
música, tanta beleza só poderia vir de algo feminino,
para ter permissão de ser bela, rude, forte, fraca, sublime, delicada,
estrondosa, caprichosa ou até agressiva,
única,
formosa e imútavel, com todas as suas facetas,
paradoxal,
devoto é o musicista,
seu estudo é oração
Arley Bequadro
nada mais sacro do que tocar um instrumento,
ou entoar um canto,
tão fácil frequentar um templo,
tão simples repetir uma oração,
tão egoísta pedir uma benção,
quando comparados ao ritual de se musicalizar,
uma vida de privações em busca do inefável,
da perfeita afinação
do ritmo, da intensidade, da harmonização
do instante,
de cada um dos instantes, musicais,
do som que necessita tanto do silencio,
e quando música, nos faz calar,
nos faz ouvir além do escutar,
nos reflete, nos ultrapassa, nos entende,
nos une,
o om,
divino é o acorde,
eterna é a pulsação que temos dentro,
música,
orquestra,
ensaio,
tudo para trazer sintonia,
música, tanta beleza só poderia vir de algo feminino,
para ter permissão de ser bela, rude, forte, fraca, sublime, delicada,
estrondosa, caprichosa ou até agressiva,
única,
formosa e imútavel, com todas as suas facetas,
paradoxal,
devoto é o musicista,
seu estudo é oração
Arley Bequadro
segunda-feira, agosto 29, 2011
Diviana
Ela é divina!
Ela não cabe no mundo
Ela é tão leve, talvez porque vazia
Talvez por isso o mundo a encha tanto
sem preencher o nada
Enche com tantas drogas
Dizem que pro seu bem
mas a faz tão mar
E quando mar, ela fica blue
ela me escreve: ao ar ei de ir!
ao ar: leia bem.
Eu vou ar!
Voar!
Minha lei: ar!
Arley Alves Ribeiro
Arley Alves Ribeiro
o som do nada
Eu quero um silêncio tão agudo
Arley Alves Ribeiro
que soe algo muito grave
uma música tão perfeita
que me encha de vazio
e assim me faça raso
e esse som que de tão raro
silencie o meu pensar
Quero a nona sintonia
tal ode à alegria
fez o gênio surdo a escutar
e lutando contratempo
alongar o momento
onde o pulso não impulsou
quero quebrar o meio
pois meu único princípio
é chegar a um fim
sendo o fim, principiar
domingo, agosto 21, 2011
Tororó - album dança da meia lua
Eu fui no Tororó
Beber água, não achei
Achei bela morena
Que no Tororó deixei
Pra que, morena
Ah, pra que carinho
Ah, pra que desejo
Pra acabar sozinho
Antes da mulher
Era o homem só
Era sem querer
Era sem amor
Era sem penar
Era sem suor
Era sem mulher
Era bem melhor
Deus fez a fêmea e depois
Que ela encorpou, nunca mais
Que um mais um foram dois
E caíram de quatro os animais
E tome praga no arroz
Rebelião nos currais
Ficou o homem feroz
E estranhou seus iguais
Antes da mulher
Era um dissabor
Era um desprazer
Que fazia dó
Homem sem mulher
Era quase um pó
Que ficava em pé
Era um saco só
Dentro da fêmea Deus pôs
Lagos e grutas, canais
Carnes e curva e cós
Seduções e pecados infernais
Em nome dela, depois
Criou perfumes, cristais
O campo de girassóis
E as noites de paz
Chico Buarque e Edu Lobo
quinta-feira, agosto 18, 2011
Eu só quero o saber por causa do sabor.
Eu não quero apenas frases soltas. Eu quero pensamentos livres!
"Tudo aquilo para que temos palavras é porque já ultrapassamos." - Nietzche
"Prefiro as máquinas que servem para não funcionar: quando cheias de areia, de formiga e musgo - elas podem um dia milagras de flores. Também as latrinas apropriadas ao abandono me religam a Deus. Senhor, eu tenho orgulho do imprestável." - Manoel de Barros
"Tudo aquilo para que temos palavras é porque já ultrapassamos." - Nietzche
"Prefiro as máquinas que servem para não funcionar: quando cheias de areia, de formiga e musgo - elas podem um dia milagras de flores. Também as latrinas apropriadas ao abandono me religam a Deus. Senhor, eu tenho orgulho do imprestável." - Manoel de Barros
Nota-mi
Sem dó! Adóro-ti!
Só Sol Arley Si Bequadro fores.
Ré fá-ça mi!
fálá! canta-lá!
ou vá!
Arley Alves Ribeiro
Arley Alves Ribeiro
segunda-feira, agosto 15, 2011
quarta-feira, agosto 03, 2011
o mesmo é pra quem tem
o mesmo
é p'ra quem
tem
perdão
é p'ra quem
tem
razão
é p'ra quem
tem
noção
é p'ra quem
tem
juízo
é
p'ra quem
tem
respeito
é p'ra quem
tem
direito
é p'ra quem
tem
caráter
é p'ra quem
tem
vergonha
é p'ra quem
tem
culpa
é p'ra quem
tem
desculpa
é p'ra quem
tem
renúncia
é p'ra quem
tem
amigo
é p'ra quem
tem
confiança
é p'ra quem
tem
coragem
é p'ra quem
tem
redenção
é p'ra quem
tem
o mesmo
Arley Alves Ribeiro
Arley Alves Ribeiro
segunda-feira, maio 30, 2011
Do inscrito ao escrito
Para não ser descrito, sou discreto
qualquer descrição, pode causar indiscrição
talvez a discriminação se torne um crime,
descriminando o pré-conceito do pró-conceito.
Arley Alves Ribeiro
Arley Alves Ribeiro
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