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Músico, vivo, questionador, aprendiz

terça-feira, março 16, 2010

Trabalho


Tem gente
que é igual lápis
começa a trabalhar
e acaba desapontado.

Arley Alves Ribeiro

quinta-feira, março 04, 2010

Violeiro (Elomar Figueira Melo)

Vou cantá no canto di primero
as coisa lá da minha mudernage
qui mi fizero errante e violêro
Eu falo sério e num é vadiage
E pra você qui agora está mi ovino
Juro inté pelo Santo Minino
Vige Maria qui ôve o queu digo
Si fo mintira mi manda um castigo

Apois pro cantadô i violero
Só há treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhero
Viola, furria, amo, dinhero não

Cantado di trovas i martelo
Di gabinete, lijêra i moirão
Ai cantado já curri o mundo intero
Já inté cantei nas portas di um castelo
Dum rei qui si chamava di Juão
Pode acriditá meu companhero
Dispois di tê cantado o dia intero
O rei mi disse fica, eu disse não

Si eu tivé di vivê obrigado
um dia i antes dêsse dia eu morro
Deus feiz os homi e os bicho tudo fôrro
já vi iscrito no livro sagrado
qui a vida nessa terra é uma passage
Cada um leva um fardo pesado
é um insinamento qui desde a mudernage
eu trago bem dentro do coração guardado

Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tudo tê
mais só dispois di pená pela istrada
beleza na pobreza é qui vim vê
vim vê na procissão do Louvado-seja
I o assombro das casa abandonada
côro di cego na porta das igreja
I o êrmo da solidão das istrada

Pispiano tudo do cumêço
eu vô mostrá como faiz um pachola
qui inforca o pescoço da viola
E revira toda moda pelo avêsso
i sem arrepará si é noite ou dia
vai longe cantá o bem da furria
sem um tostão na cuia u cantado
canta inté morrê o bem do amo.

quarta-feira, setembro 23, 2009

posse

Tenho saudades do que tive.
amo o que tenho.
adoro o que terei.

Arley Alves Ribeiro

quarta-feira, setembro 16, 2009

Táctica y estrategia

Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos

mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible

mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme con vos

mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos

no haya telón
ni abismos

Mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple

Mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites.

(Mario Benedetti)

terça-feira, julho 28, 2009

Atrabalhar

Ops! Desculpe! Não queria te atrabalhar com tanto ócio.
Odío tanto essa elabutação. Trapalhando por tão pouca pró-dução.
Não entento essa gente tão ó-culpada!
Eu não tenho Cuba de nada disso.

Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, junho 19, 2009

pois

a gente nem nasceu ainda


foto by: Clark Little (ex-surfista-EUA)

quinta-feira, junho 18, 2009

SIMPLES

E quem entende do simples?
Quem sabe?
Quem o ousa?
Simples se deixar? E as dores, como vão?
o Quê não simplifica, aguça.
Saber não torna o simples mais simples.
Simplesmente não.
Desafio simplificar.
Será o simples o pouco, o vazio, o limpo, o claro?
Talvez simples será omissão.
Nâo é simples sim. Sim é simples não.
Tudo simples, nada.
Tudo, simples nada
tudo, simples, nada
Simples não.

Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, junho 12, 2009

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

(Alphonsus de Guimarães)

quarta-feira, junho 03, 2009

ConhecEU

Nasci nos 80 sem entender de obstetrícia
Cresci mais ou menos até a gosto,
depois cansei, e fui sonhar
Acordo às oito e morro às dez,
religiosamente

Sou burro por parte de mãe e feio por parte de pai
Não falo cantonês, não sei cantar
Meu joelho não é dos melhores,
mas meus sonhos são outros

Era católico, hoje sou míope
Meu humor varia entre o marrom e o branco
Na segunda eu conspiro, terça não fecho o livro
Escrevo até bem, mas só coisas ruins

Pratico repousos, esporadicamente
Não tenho remédio, questiono qualquer questão
Sei que sou sul
Vou do início ao fino!

Arley Alves Ribeiro

segunda-feira, abril 13, 2009

quarta-feira, abril 01, 2009

parte

experimente um cisco de medo
sinta um facho de dor
beba uma gole de ansia
talvez uma fatia de amor

Arley Alves Ribeiro

terça-feira, fevereiro 24, 2009

É a sua cor que combina com toda a paisagem

nítida
não precisa de retoque
não pede nenhum desfoque
em todo o mundo desejo ver
olhos e câmeras
todo o mundo que vê
não só sorrisos, não só tristezas
o mundo dentro enxergando o de fora
há muitos mundos por aí
Vamos

Arley Alves Ribeiro

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Todos à postos


os opostos se distraem, os dispostos se atraem,
os sobrepostos se subtraem, os compostos se extraem,
os expostos se contraem, os indispostos se retraem

Aposto

Arley Alves Ribeiro

We won the war

Alguém alguma vez já realmente venceu uma guerra?

sábado, janeiro 31, 2009

o umbigo


Há quem só tenha EU
as vezes SOU
VOCÊ. é só um detalhe
as vezes "QUERO
o OUTRO" é coisa
nao é o que É
talvez por isso seja SÓ
mesmo em GRUPO
OU ferramenta.
É MEIO para o ego.
Tem potencial para SER,
mas NUNCA é
PESSOA

Arley Alves Ribeiro