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Músico, vivo, questionador, aprendiz

domingo, janeiro 07, 2007

O jardim (aberto)

Descobri-me jardineiro
agora estou me especializando
as cores são variadas
os tamanhos são todos

O mais bonito de meu jardim
é sua capacidade de renascer
também de procriar
criar novos exemplares

O ano que findou foi extremamente produtivo
mostrou-me uma rosinha clara
um Girassol escuro

Um copo de leite
firme, porém frágil
quase isso, mas não tanto

sexta-feira, janeiro 05, 2007

À Música

AN DIE MUSIK (Rainer Maria Rilke)

Musik: Atem der Statuen. Vielleicht:
Stille der Bilder. Du Sprache wo Sprachen
enden. Du Zeit,
die senkrecht steht auf der Richtung vergehender Herzen.
Gefühle zu wem? O du der Gefühle
Wandlung in was? - : in hörbare Landschaft.
Du Fremde: Musik. Du uns entwachsener
Herzraum. Innigsters unser,
das, uns übersteigend, hinausdrängt, -
heiliger Abschied:
da uns das Innre umsteht
als geübteste Ferne, als andre
Seite der Luft:
rein,
riesig,
nicht mehr bewohnbar.

e a tradução de Paulo Quintela:

À Música

Música: hálito das estátuas. Talvez:
silêncio das pinturas. Ó língua onde as línguas
acabam. Ó tempo,
posto a prumo sobre o sentido dos corações transitórios.
Sentimentos - de quê? Ó transmutação
dos sentimentos - em quê? : em paisagem audível.
Ó peregrina: Música. Espaço de coração
de nós liberto. O mais íntimo de nós,
que, transcendendo-nos, força por sair, -
sagrada despedida:
quando o íntimo nos envolve
como o mais exercitado dos longes, como o outro
lado do ar:
puro,
gigânteo,
já não habitável.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

recado alado

moonlight



Quando uma asa se fere
a impressão é que tudo é dor
isso só prova uma coisa
esta vida é voar

terça-feira, dezembro 26, 2006

você prefere...

ser injustiçado ou cometer injustiça?

terça-feira, dezembro 19, 2006

o que é

Quer identificar anjos?
Não procure asas, procure feridas.
Anjos vem para arrancar o seu melhor
Ao partirem, deixam um bálsamo que alivia mas não cura
A dor serve de lembrança, de tudo de bom que se viveu

Anjos são lindos
são frágeis
são humanos
Impressionantemente humanos
Deus, se existisse, sorriria orgulhoso de sua cadeira

É possível tocar os anjos, mas na verdade
são eles quem tocam você

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Altura

Não dá pra entender daqui, tudo se turva
fica até mais bonito
parece maqueado, como maquete
como marketing

Se vê tudo sem se importar com nada
só a consciência pode descer, e assim ascender
retirar a proporção e se importar com pouco
olhar por cima e amar por baixo.

terça-feira, dezembro 05, 2006

A arte de...

Ser intimista,
e conseguir identificação com todos.
ser falso,
a ponto de mostrar total sinceridade.
ser egoísta,
fazendo com que todos busquem o amor-próprio.
e assim amar,
sem nenhum convicção.

Verossímil

Antigamente, em maio, eu virava anjo.
A mãe me punha o vestido, as asas,
me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:
"Canta alto, espevita as palavras bem."
Eu levantava vôo rua acima.

Adélia Prado


Eu musiquei, quer ouvir?

terça-feira, novembro 21, 2006

Reflexões a partir da vida danificada


Aloha

Será que ninguém vê
O caos em que vivemos
Os jovens são tão jovens
E fica tudo por isso mesmo

A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema e de coisas naturais

E penso sempre em sexo
Todo adulto tem inveja, Todo adulto tem inveja
Todo adulto tem inveja dos mais jovens

A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar por que é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei

Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha

E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança

Que se faça o sacrifício
E cresçam logo as crianças

(Renato Russo)

sem muro, porém sem rumo

O amor morreu, não aqui, lá
de lá fez-se saber e trancou janelas
portas ainda há, mas com chaves
agora existe alarme e risco de choque

Tudo está desacreditado, tudo se quebrou
É preciso juntar os cacos
do amor e também os meus

segunda-feira, novembro 20, 2006

dentro da espiral



dentro da espiral?
dentro da espiral.
Fora do mundo?
Fora do mundo.
Perto de mim?
Perto de mim

Não sei de que lado estou se do ético ou do cético
céticos não acreditam em mim, apenas me amam
precisam, aprisionam enquanto eu fico me debatendo
mas a dor se espalha e saio ferido (todos saem feridos)

sem saber se quero realmente lutar
sigo o caminho de casa
apenas meu lugar, não minha meta
vou só?!

segunda-feira, outubro 30, 2006

there was once a time...


(...) and everyone should be sad.

quinta-feira, outubro 26, 2006

alien



O que você fará
quando descobrir que tudo
o que você fala
não passa de mentiras
o que você cala
é tudo o que devia gritar
o que você dará
para tentar, tarde?

domingo, outubro 08, 2006

Sobre os direitos humanos, os esquerdos umanos e o centro umanu!


Perdeu-se o senso. Há (ou será áh!?) o bom senso. Paradoxalmente chegou-se a tão esperada média. Nem oito nem oitenta. Meio-termo. Fazem do meio o fim. Agora educar é entreter. Entreter crianças e adultos. Panis et circenses. Eu já ouvi isso! Enfim... a democracia. As conversas são mais ou menos diálogos. Os diálogos são mais ou menos produtivos. Os princípios são mais ou menos éticos. A ética é mais ou menos... ética.
IXi (eu havia escrito "Xi!", mas reparei que assim ficaria com o ""x" centralizado o com um "i" de cada lado, ou seja, mediano – mediando)
Agora entendi porque fico realmente desesperado quando digo que estou ao meio.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Beradêro









"Os olhos tristes da fita
Rodando no gravador
Uma moça cosendo roupa
Com a linha do equador
E a voz da santa dizendo:
O que é que eu tô fazendo
Cá em cima desse andor

A tinta pinta o asfalto
Enfeita a alma
Motorista é cor na cor da cidade
Batom no lábio nortista
O olhar vê tons tão sudestes
E o beijo que vós me nordestes
Arranha-céu da boca paulista

Cadeiras elétricas da baiana
Sentença que o turista cheire
E os sem amor, os sem teto
Os sem paixão, sem alqueire
No peito dos sem peito uma seta
E a cigana analfabeta
Lendo a mão de Paulo Freire

A contenteza do triste
Tristezura do contente
Vozes de faca cortando
Como o riso da serpente
São sons de sins, não contudo
Pé quebrado, verso mudo
Grito no hospital da gente "


- Obrigado Polinha! Mó buniteza de tão triste.

De Chico César cantado por Monica Salmaso