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Músico, vivo, questionador, aprendiz

quarta-feira, agosto 20, 2008

Versus o mundo



Difícil acreditar que minhas teorias chegariam tão próximo do real e fariam tão bem às pessoas. Mesmo que o momento dure pouco, já ficou na minha história. Não me recordo de tanta lucidez e tanta surpresa boa. Agora tenho, pela primeira vez, um exemplo real de que é possível que as pessoas sejam esclarecidas, sinceras, amáveis e felizes ao mesmo tempo. Isso acontece em agosto de 2008. E tenho dito.

Arley Alves Ribeiro

A idade do céu

Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu

Não somos o que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Ou um capricho do sol

No jardim do céu
Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu

(Moska)

sexta-feira, agosto 08, 2008

domingo, agosto 03, 2008

Socorro!

foto: Shark












Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...

Socorro!

Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena
Qualquer coisa!
Qualquer coisa
Que se sinta...

Tem tantos sentimentos deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos deve ter algum que sirva...

Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro!
Eu já não sinto nada...

(Arnaldo Antunes)


foto: Raphael



terça-feira, julho 29, 2008

in out


in-tenso out-êntico
in-consequente out-ernativo
in-compreendido out-ônomo
in-explicável out-amente
in-verso, verbo in-out-erável
In love.. out of doubt

Paulinha

29/07/08 10:40

sábado, julho 26, 2008

arte ≠ cultura


Arley versus cultura
Arley versos cultura
arte versus cultura
arte versos cultura
art versus cultura
art versos cultura
art versus cult-ura
art versos cult-ura
art versus ctrl-ura
alt versos ctrl-ura
alt versus ctrl+ura

Cult+Art+Del
Crtl+Alt+Del

Arley Alves Ribeiro

segunda-feira, junho 30, 2008

Só me fez bem

Não sei se foi um mal
Não sei se foi um bem
Só sei que me fez bem
Ao coração

Sofri, você também,
Chorei, mas não faz mal
Melhor que ter ninguém
No coração

Foi a vida
Foi o amo
r quem quis
É melhor viver
Do que ser feliz
Foi tudo natural
Ninguém foi de ninguém
Mas me fez tanto bem
Ao coração

(Vinícius de Moraes)


domingo, junho 22, 2008

...er

Quando crescer quero ser...
quanto a ser, quero crescer...
quando for, quero ser...
quanto ao ser, que ele cresça
quando crescer, que seja
sendo crescido, cresça
sendo crescido o ser, faça
fazer o que para crescer?
Quero sempre crescer para nunca deixar de ser
Então serei, ao invés de apenas estar

Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, maio 30, 2008

Perfeito para usar hoje*

A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.

Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

(Manoel de Barros)

*O título é do post e nao do poema.

quarta-feira, abril 23, 2008

ela, verdade e mentira


Venham as escolhas
junto às responsabilidade
para só assim se praticar
a irresponsabilidade
de viver

Venham as responsabilidades
junto aos resultados
para só assim se praticar
a invenção
da verdade

e a mentira

Que se dane
ela sorri
fica tudo mais calmo

Arley Alves Ribeiro

quinta-feira, abril 17, 2008

É verdade!

"Diga a verdade e saia correndo."
Provérbio Iugoslavo

segunda-feira, abril 07, 2008

Adorno

"O amor é a capacidade de perceber o semelhante no dessemelhante(...) Amado tú serás unicamente quando puderes te mostrar fraco sem provocares força"

(Theodor Wiesengrund Adorno - Minima Moralia - af. 66, p. 88, 1992.)

"Não me entendam mal. Não estou pregando o amor. Cultivá-lo me parece esforço vão; a ninguém caberia o direito de pregá-lo porque a falta de amor hoje - como eu já disse - é uma falha de todos, sem exceção. Para pregar o amor, seria preciso que aqueles aos quais nos dirigimos, que procuramos modificar, tivessem uma estrutura de caráter diferente. Porque as pessoas que devemos amar já são incapazes de fazê-lo e assim se tornam, por sua vez, menos dignas de ser amadas."

(Theodor Wiesengrund Adorno - Educação após Auschwitz - org. Gabriel Cohn, 1986 - p.43)

P.S.: Peço desculpas por pinçar trechos desse naipe e tirá-los do contexto dos livros... mas pra quem saber ler...

quarta-feira, abril 02, 2008

opus

Nao tenho harmonia
deixei pra trás
há alguns séculos

Nem diminuto
nem aumentado

Sôo com quartas
sol com sexta
sou com segundas

Assim como sábados e domingos

Quebro tanto o ritmo
que não sou de acompanhar
solo nenhum me dá tom

Sou só melodias

Descobrir meu tema é um anátema.


Arley Alves Ribeiro

sexta-feira, março 28, 2008

De novo, uma velha canção

Desenredo

Por toda terra que passo
me espanta tudo que vejo
A morte tece seu o fio
de vida feita ao avesso

O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego eu me enredo
Nas tramas do teu desejo

O mundo todo marcado
a ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo,
a morte é o fim do novelo

O olhar que assusta anda morto
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas tranças do teu desejo

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe

A cera da vela queimando,
o homem fazendo seu preço
A morte que a vida anda armando,
a vida que a morte anda tendo

O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo.

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe

(Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro)

domingo, março 16, 2008

Gentes e Janelas


A janela do quarto dela era baixa e ele a pulou sem dificuldade. Ela se sentiu extasiada. Quando ele se foi ela se sentiu completa. Quando outro pulou a mesma janela ela sentiu necessária e curou-lhe as ânsias. Quando ele se foi ela sentiu orgulho. Quando mais um pulou a janela, ela estava frágil e não soube o que sentir. Ele foi prudente e a fez sorrir. Quando ele se foi ela se sentiu menor. O próximo que pulou a fez sentir completa e quando ele se foi ela se sentiu partida. Passou-se um tempo até que surgisse alguém na janela. Quando surgiu, havia um vidro e no vidro uma marca de batom. O vidro estava um pouco embaçado e as imagens imprecisas. O vidro era fino e frio, mas bastava para separar o mundo. Quando ele se foi, deixou uma marca de mão no vidro e uma flor no para-peito.

Arley Alves Ribeiro